Eldritch: Introdução (Parte 1 de 5)

Publicado: 14/09/2010 em Eldritch, Role Play & Game

Eldritch é um pequeno e solitário mundo localizado no sistema planetário Sonnollo. Um mundo semelhante ao planeta Terra no qual estamos já habituados a viver, com céus azulados e florestas verdes. Mas Eldritch tem suas diferenças.

Para começar Eldritch orbita em torno de duas estrelas gêmeas, Sono e Sollo, além de ter um par de satélites naturais, as luas Nimbus e Demi. Aqui é um mundo de fantasia, onde a Magia, que foi batizada de Éter, é uma ciência e praticamente todos os seus habitantes sabem utilizá-la.

Eu venho criando esse mundo numa tentativa de ser diferente do que existe por aí no mercado nacional e internacional. Eu nunca pensei em criar Eldritch para me tornar um famoso escritor ou desenvolvedor de RPG. Nem nunca o criei numa tentativa de ser original e inovador. Minha intenção foi criar um cenário com elementos que eu gosto, que tenha coerência, que eu aprecie narrar e que eu gostaria de jogar… E que fuja um pouco dos estereótipos dos cenários de fantasia que existem.

Mapa de Eldritch

Mapa por @Angellics_

A proposta desses artigos é explanar superficialmente sobre este meu mundo que venho desenvolvendo fazem alguns vários anos. Nessa primeira parte da introdução ao meu atual mundo de jogo irei falar sobre os dois pontos que eu julguei os mais essenciais em qualquer ambientação de um mundo de fantasia: As Raças e os Deuses! Espero que aprecie a leitura.

Raças

Não existem Humanos nessa ambientação. Nem Elfos, nem Anões, e muito menos Halflings. Ah, Orcs, Kobolds e Dragões também foram varridos para debaixo do tapete. Uma das coisas que sempre me deixou intrigado é porque (quase) toda a ambientação de fantasia tem que ter Anões, Elfos e outras criaturas que Tolkien imortalizou, além das criaturas clássicas do D&D.

Embora existam reeleituras extremamente interessantes dessas raças clássicas em inúmeras ambientações, eu preferi não utilizá-las em Eldritch. Eu também acho que o excesso de raças humanóides tira o brilho individual de cada raça, então decidi usar apenas três raças: os Narian, os Ellm e os Torian.

Os Narian, mais conhecidos como Narianos, são criaturas humanóides quase idênticas aos Humanos, porém sua capacidade física é muito superior ao Humano médio. Por serem mais rápidos, resistentes e velozes, os Narianos são capazes de realizar tarefas físicas inacreditáveis e sobreviverem a ferimentos e rigores que matariam qualquer Humano padrão.

Os Narianos são capazes de manipular o Éter e com isso realizar efeitos sobrenaturais de manipulação dos Elementos da natureza, o que comumente chamaríamos de Magia. Tal habilidade permitiu aos Narianos desenvolver a sua civilização e sobreviver ao confronto direto contra Arh-Kad.

Os Ellm são uma raça intimamente ligada às Grandes Árvores, imensas estruturas vivas que são responsáveis pelo controle e produção de todo o Éter do mundo. São um povo contemplativo e muito ligado a seus ancestrais, os quais sempre recebem uma dose generosa de rituais de agradecimento e histórias épicas sobre os seus feitos durante os dias que se foram. Mesmo sem possuir uma cultura marcial, são extremamente competentes nas artes Etéreas, muito mais que os Narianos, o que os torna oponentes formidáveis.

Os Ellm sempre se mantiveram distantes dos Narianos devido a divergências de ideologia que poderiam gerar conflitos indesejados, porém foram eles que lideraram os Narianos para a vitória da Guerra Negra, a enorme batalha travada contra Ahr-Kad, o Deus das Trevas.

Os Ellm foram gerados a partir das Grandes Árvores, e cada um deles está alinhado a um dos Elementos. Após o término da Guerra Negra, o Povo das Árvores entrou numa reclusão ainda maior do que antes, e alguns dizem que eles foram na realidade destruídos na Guerra.

Os Torian, conhecidos como Os Antigos,  são a raça enviada por Signavera, o Deus da Luz, para guiar e orientar o povo de Eldritch. Eles foram os responsáveis por ensinar aos Narianos a manipulação do Éter e inúmeros conceitos de matemática, astrologia e medicina, seguindo a vontade de Signavera. Pouco se sabe sobre eles, além do fato de que possuem belíssimas asas e que seu idioma é o Melphice, uma língua atualmente morta em Eldritch.

Deuses e Religião

Por muito tempo eu achei a maioria das ambientações que possuem Divindades, incoerentes. Os Deuses são humanos demais, falham demais, e o excesso de Deuses na maioria das ambientações faz com que a maioria nunca seja abordada por Mestres e por Jogadores. Mais uma vez eu preferi trabalhar com conceitos mais amplos e antagônicos, o bom e velho paradigma de Luz versus Trevas.

Também evitei colocar o conceito de Deus nascido em D&D, então as Divindades de Eldritch não garantem poderes divinos aos seus seguidores, não elegem sumo-sacerdotes, não habitam diferentes planos de existência e não são entidades que influenciam diretamente o mundo. Talvez nem sejam Deuses realmente. Minha idéia foi criar seres que são relevantes ao cenário, porém distantes e misteriosos. Eldritch possui dois Deuses: Signavera, o Deus da Luz e Ahr-Kad, o Deus das Trevas.

Signavera, o Defensor, é retratado como um Nariano que possui enormes asas luminosas portando sua Elmekia, uma espada de lâmina dupla que deu nome a todas as outras armas com o mesmo formato no mundo. Da sagrada ilha de Glarin Lister, ilha que foi o berço da civilização Nariana, Signavera guiou os Narianos com coragem e sabedoria. Seus representantes diretos, os Torianos, carregavam sua palavra aonde o Deus não podia estar, e foram os encarregados de passar sua dádiva do conhecimento aos Narianos, modernizando sua ciência e linguagem.

Sua participação na Guerra Negra foi intensa, com participação direta em batalhas cruciais, liderança e organização de tropas e recursos. Após o Cerco de Glarin Lister, no qual ele e todos os Torianos invadiram a ilha maldita para por fim na longa Guerra, o paradeiro de Signavera e dos Torianos é  desconhecido, porém especula-se que ele repousa em algum lugar de Igtenos.

Os ensinos de Signavera são representados principalmente pela Sagrada Ordem da Tábula Branca, conhecida popularmente como Ordem Branca, uma ordem religiosa que segue os preceitos escritos na Tábula Branca, criada pelo próprio Signavera e entregue a Miguel Hansen, que se tornou o primeiro Sumo-Prelado da Ordem há séculos atrás. O local de maior atuação da Ordem Branca é no Sacro Império de Chaltier, um reino que foi partido em dois durante a Guerra. Outra ordem religiosa importante é a Lâmina Radiante, com foco de atuação nos territórios da República Federativa de Atwight, e essas organizações não possuem boas relações uma com a outra, embora nunca tenha passado de atritos e ânimos exaltados.

Ahr-Kad, o Corruptor, é retratado como uma mancha negra amorfa, dotada de um único e enorme olho vermelho. Pouco se sabe sobre a sua origem e suas motivações, porém seu poder e impacto no mundo são indiscutíveis.

Como uma força sem limites, Ahr-Kad surgiu inicialmente em Glarianta, a primeiro cidade Nariana, localizada em Glarin Lister, e depois de destruir totalmente a cidade e corromper seus habitantes, devorou a Grande Árvore Freiya, gerando o desequilíbrio no Éter no mundo que perdura até os dias de hoje.

De Glarin Lister foi iniciada sua campanha de destruição, espalhando corrupção, morte e terror por onde passava. Corrompeu metade de Chaltier, o maior continente do mundo, uma boa parte do nordeste de Atwight e quase toda a região leste de Dymilos. Foi detido graças aos esforços combinados dos Narianos e dos Ellmin, e mesmo após a sua suposta derrota no Cerco de Glarin Lister, a destruição por ele gerada ainda resiste, e mesmo muito mais fraca do que um dia já foi, a corrupção de Ahr-Kad é poderosa, impiedosa e implacável.

Existem Narianos loucos o bastante para cultuar Ahr-Kad, e estes são chamados de Cultistas do Abismo, e entre seus rituais de adoração às Trevas estão sacrifícios, corrupção de inúmeras formas de vida, auto-flagelação e mutilação, entre inúmeros outros atos grotescos e obscenos. Os Cultistas são caçados em qualquer lugar de Eldritch, e costumam preferir regiões mais remotas para cultuar o Corruptor e levar a diante seus planos nefastos.

Bom, aqui eu encerro a primeira parte! Espero que tenham gostado, e até a próxima terça-feira com a parte 2, onde será abordada as Criaturas e a “Magia” de Eldritch.

Gostou? Sugestões? Gostaria de fazer a arte? Deixe um comentário!

Longos dias e belas noites.

Comentários
  1. Ironfist Yolov disse:

    Cara, estou sem palavras, arrebentou! Os conceitos, apesar de não serem inovadores, são incomuns e tornam o cenário interessante! Continue o bom trabalho! ^^

  2. Lorde Dornelles disse:

    Interessante, inovador por quebrar alguns paradigmas e tentar algo que fuja do lugar-comum de fantasia medieval. Fora os erros de concordância/ortografia, essa primeira parte tá aprovada. Espero pela segunda.

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